DEPOIMENTOS

ESCOLHA O TEMA
Depoimento
Título
De Mãe
O Amor De Mãe Nasce Na Alma e Não No Sangue
De Filha
A Graça da Vida
De Mãe
Adoção, Apenas Uma Palavra


O AMOR DE MÃE NASCE NA ALMA E NÃO NO SANGUE

O sonho estava tão perto, como não pude perceber antes?

Fomos chamados, enfim chegara nossa vez na longa fila de espera pelo nosso segundo filho, que emoção, que alegria, o ar mal entrava em meus pulmões, não havia fôlego, só de pensar que estávamos indo buscar nosso pequeno... não dava para acreditar.

Enfim, chegamos no Abrigo que hospedava nosso filho. Passa por um, passa por outro, mostram-se papéis, berçário, crianças, e... finalmente alguém nos diz: “pode entrar naquela sala, o menino que vocês vieram conhecer está logo ali no 1º berço!”

O “1º berço”: havia um nenezinho, fraquinho, pequenino, com conjuntivite nos olhos, mal conseguia abri-los, aqueles olhinhos pretos, inchados, fixos em nossa direção, como que numa súplica: “só quero ser amado”. Naquele momento, ele estirou um sorriso, que por toda minha existência jamais será esquecido. Aquele era o MEU FILHO!

Soubemos, que nosso filho fora abandonado em um hospital aos dois meses de vida, com infecção generalizada, meningite, desnutrição aguda, anemia, cianose, passando por 2 transfusões de sangue, ficou na U.T.I. por duas semanas. Era um histórico assustador, mas não vacilamos um só momento.

Toda mãe sonha em ter um filho perfeito, bonito, inteligente, mas na hora em que os olhares se cruzam, você intui, se é o seu, não importa cor, tipo de cabelo, saúde, histórico de vida, não importa nada, o que conta é o “daqui para frente”. E assim o foi, trouxemos nosso filho para casa.

De imediato nosso pequeno foi cercado de muito amor por toda a família e amigos, apesar de doentinho, estava sempre sorrindo.

Levamos nosso filho ao médico, que após examinar, nos deu um conselho: “Devolva!”. Eu com meu filho nos braços, ouvindo o parecer do médico, desesperada, sim desesperada!. O que faria agora? Por onde começar a luta? O médico falou que meu bebê ficaria anão, poderia ter seqüelas da meningite, sofrida com tão pouco tempo de vida, poderia ser um portador do temeroso vírus HIV, afinal de contas foram 2 transfusões de sangue, poderia ter problemas mentais, pois havia chegado ao hospital com cianose, tinha broncopneumonia. Meu Deus, o que fazer? Devolver jamais passou por nossas mentes, ele era nosso!

Eu só conseguia chorar. Meu marido, forte batalhador, grandioso homem, virou para mim e disse: “Meu bem, se nosso filho tiver que parar de crescer mais cedo do que as outras crianças, se for portador de alguma deficiência, o que poderemos fazer? Assim é a vida, não chore. O importante é lutarmos para recuperar esses seis meses de vida que nosso filho teve de sofrimento em função da ausência do LAR.”

Chorei por três dias e três noites, acordava no meio da noite para chorar, não achava uma saída, após o 3º dia, acordei, resolvi parar de chorar e ir à luta. De lá para cá passamos por uns 15 médicos. Se alguém me falava, olha tem um médico na “China” que vai curá-lo, lá íamos nós. Nessa jornada, passamos com ele por médicos alopatas, espíritas, homeopatas, acupunturistas, massagistas, especialistas em florais, “benzedores”, etc. Quando ele piorava, corríamos ao Pronto Socorro, para atendimento de urgência, e logo no início do dia seguinte, levávamos ao seu pediatra. Remédios, remédios e mais remédios. Quando tudo parecia melhorar, ele tinha outra recaída. Chegou a ficar uma semana internado com dificuldades respiratórias. Tudo parecia estar acontecendo. E assim foi indo, o dia todo, todos os dias...

Depois que ele saiu do hospital, já mais fortalecido, começamos a fazer os exames. Atualmente, ele se encontra recuperado, não tem nenhuma deficiência, não sofre mais de doença alguma, atingiu a altura normal, é uma criança que chama atenção dos outros na rua de tão lindo que é. Com todo amor do mundo, ele ultrapassou todos os obstáculos.

Emagreci 12 kl., mas aprendi a ser forte, encarar os fatos da vida como nos são trazidos. Ergui minha cabeça e lutei muito.

Hoje, tenho um filho que toda mãe sonha: um menino dócil, amável, ativo, inteligente, bonito, e tão normal quanto qualquer outra criança da idade dele. Porém, em especial: um enviado de Deus.

Escapou da morte para nos trazer a vida!


						Assinado
Mãe coruja!

Se você quiser mandar seu depoimento ou tecer comentários clique aqui


A GRAÇA DA VIDA

São 37 anos absolutamente felizes.

São 37 anos de uma vida plena de amor.

Porque??

Simples: nasci de uma união não só de corpos mas, principalmente de almas, de dois corações repletos de amor que decidiram dividi-lo comigo, ou melhor, doar tudo o quanto existia de melhor par aquela “menininha” que acabava de chegar.

Foram nove meses de luta pelo direito de nascer, pelo direito de ter uma família e ser muito amada, e a vida não me negou esse direito.

Tive sorte e muita!!

Pelas mãos do Criador fui levada para o seio de uma família estruturada, sendo entregue, ao sair praticamente da maternidade, à duas pessoas que, ansiosamente aguardavam por mim, com uma felicidade indescritível, porque esperavam por esse momento muito mais que os nove meses de uma gestação normal.

Ali, naquele instante que entrei naquela que seria definitivamente a minha casa, começou uma estória muito feliz.

Meus PAIS, sempre lembram emocionados o momento em que me pegaram em suas mãos e me chamaram de filha, quando então o primeiro e verdadeiro carinho de MÃE e PAI eu pude sentir na minha vida...

A partir daquele dia, nossas vidas mudaram; a casa já há meses estava preparada para a minha chegada, berço, cômoda recheada de roupinhas de bebê, banheira, mamadeiras, latas e latas de leite em pó, já que a amamentação natural estaria prejudicada, brinquedos, enfim tudo à minha espera!

Ana Maria, esse era o nome escolhido há tempos e, assim foi.

Nos primeiros dias, muitas visitas; parentes, amigos, uma alegria só, tudo, tudo para Aninha..

Foram noites e noites em claro, como não poderia deixar de ser, afinal bebês dão trabalho... Eu, um pouco mais que o normal, pois com o tempo minha MÃE descobriu que algumas práticas abortivas e uma gestação indesejada comprometeram, inicialmente, minha saúde.

Se me recuperei???

Logo, logo.

Qual o remédio???

Doses cavalares de amor!!!

O tempo passou, os meses passaram...

Então, pelas mãos sábias e simples de meu PAI aprendi a andar e, dando os primeiros passos sabia que o caminho seria um só: a felicidade.

Depois a fala e, com certeza a emoção quando repeti Papai e Mamãe. Imaginem, para um casal que deseja tanto ter filhos, o que não devem sentir ao ouvir pela primeira vez papai e mamãe?!?!?!

Já um pouco maior, lembro de todas as vezes, e foram muitas, que os meus brinquedos ocupavam toda a casa, todo o quintal, e meu PAI sempre paciente, brincava comigo e, incansavelmente, recolhia cada boneca, cada “panelinha”, cada “caminha”, cada e, cada e, cada... ao final da brincadeira. Acreditem, ele brincava de “casinha” comigo, no auge dos seus cinqüenta e poucos anos;

Lembro, também do cavalinho de madeira, do balanço que ele fez para mim e, como ele adorava me levar às alturas quando me balançava...

Minha MÃE, sempre companheira, dedicada, amorosa, repetia que eu era a filhinha nascida do coração.

Por volta dos cinco ou seis anos, já não me lembro com tanta certeza, até porque isso não fez diferença alguma, quando eu já manifestava certa curiosidade em saber como nascem os bebês, minha MÃE que já por diversas vezes repetira que eu nascera de uma forma muito especial, porque nasci de sue coração e não de sua barriga, quebrando uma promessa que fizera, que jamais me contaria a verdade, me pegou no colo e cheia de coragem me fez entender que ela e meu PAI me pegaram par criar, que quem havia me dado a vida, ou melhor à luz, era outra mulher que temos depois morrera, mas que isso não poderia mudar nada, porque eu era a filha mais amada e esperada do mundo e, filha legítima, assinando seus nomes.

Para minha MÃE foi um momento muito difícil, mas brilhante. Eu me lembro de ter ficado por alguns minutos, poucos, calada, mas a seguir eu a abracei e a amei ainda mais e, certamente eu era muito, mas muito mais feliz, porque nascera fruto de um amor verdadeiro, fui escolhida, portanto, eu era realmente muito diferente de todos...

A única certeza que tive: eu era muito especial!

Corri muito mais feliz pelos quintais de nossa casa, eu os amava.

Todas as festas de aniversário eram maravilhosas. E os natais? Curtidos, à espera do papai noel com presentes; tenho até hoje bonecas que ganhei dos meus PAIS.

Veio a idade escolar, meus PAIS sempre ao meu lado, firmes no propósito de lutar para que eu, no modo humilde de pensarem, fosse alguém na vida.

Nunca pensava que pelo fato de não ter nascido de uma união carnal entre eles, isso mudaria alguma coisa em minha vida.

Ao contrário, sentia intimamente muito orgulho disso.

Algumas vezes, na escola, lembro de alguém comentar que eu não me parecia nem com meu PAI, nem com minha MÃE, mas sempre respondia: pareço sim, no caráter, no sentimento de amor que aprendi a ter pelas pessoas, indiferentemente.

Tudo para Aninha. Sempre foi assim.

Boas escolas, aulas de inglês, pintura, piano e um pouco de esporte. Amada, amada, amada...

Formaturas de ginásio, colégio, cresci.

De repente, uma universitária.

O sonho de meus PAIS é que eu fosse uma grande advogada. Não mediram esforços, pois meu PAI aos quase setenta anos, ainda trabalha na mesma metalúrgica há mais de trinta anos, para custear os meus estudos.

Durante todos esses anos, minha MÃE sempre me flava da importância de se ter uma família, da importância do amor entre pais e filhos e cresci com essa convicção.

Cada vez mais, eu tinha certeza de ser uma pessoa de muita sorte e, sabia que tinha vindo ao mundo para ser feliz.

Depois dos vinte anos de idade, por várias vezes eu e meus PAIS falávamos sobre o meu nascimento, sobre a minha chegada em nossa casa e, sempre de uma forma positiva e emocionada, franca, aberta, como um presente recíproco, de Deus, para nós.

Nunca houve qualquer diferença entre nós e em nossa família, por ser eu uma filha de criação, e muito menos entre amigos que sabiam da nossa estória de vida.

Ao contrário, sentia um profundo orgulho, admiração e muito respeito pela grandeza dos sentimentos de meus PAIS.

Todo esse sentimento de amor sempre nos uniu, até hoje.

Quando me formei, e colei grau no curso de Direito, ao pegar o canudo olhei para a platéia e pensei: devo tudo a vocês meu PAI e minha MÃE e, agradeci à Deus e à vida por terem me reservado tanta felicidade.

Meus PAIS fizeram de mim um ser humano na acepção da palavra; fizeram de mim uma pessoa íntegra, de caráter; com eles aprendi a ser generosa e solidária e a ter amor por tudo e por todos que me cercam, sendo imprescindível a fé em Deus.

Aos que, eventualmente, me perguntaram: como é saber que você não é filha natural de seus pais? Respondi: quem disse que não sou? Sou a filha natural do coração e, por isso inigualável à quem quer que seja.

Nesses trinta e sete anos de vida, agradeci à Deus por me reservar esse destino, porque certamente fui muito mais feliz do que se podia imaginar.

Tive um lar, um PAI e uma MÃE extremamente amorosos e dedicados e, sem dúvida alguma, eles, depois de Deus, que me deram realmente a vida.

Ao me levar até o altar, no dia do meu casamento, meu PAI desejou que ao sair de nossa casa, continuasse eu no mesmo caminho que me ensinaram a trilhar. Minha MÃE, emocionada, concluiu que cumprira sua missão, ou melhor, o sacerdócio de ser MÃE, porque viu que toda a sua luta de vida valeu à pena.

Sou a única filha;

Não passei por um processo legal de adoção, mas, indiscutivelmente, fui fruto de uma adoção plena de amor.

Hoje, por mais uma manobra do destino, luto pelo direito de ser mãe, para abraçar por vocação, esse sacerdócio que é a maternidade. Trago comigo o mesmo sonho que há trinta e seis anos atrás minha MÃE conseguiu realizar.

Sonho em um dia ter em meus braços uma criança e embalá-la, com o mesmo e único amor que tive a felicidade de ter e viver com meus PAIS, dando continuidade à maior missão da mulher que é ser mãe.

Sou o exemplo vivo der que o amor que se pode dedicar à uma criança, que é fruto de uma adoção, é infinitamente maior do que se imagina possível.

A vocês pais e filhos, deixo a minha mensagem e, humildemente o exemplo de uma vida feliz, sem crises, que tive e tenho, reiterando que o mais importante é a grandeza do amor que se dedica a um filho, não importando se natural ou adotado, pois ele que deve ser o fator determinante da nossa felicidade, porque o restante é muito pequeno diante da nobreza de sentimentos que o Ser Humano é capaz de ter.

E o amor venceu!!!

CASAIS SEM FILHOS PRATIQUEM O AMOR: ADOTEM UMA CRIANÇA!

Ofereço esse depoimento ao meu PAI, hoje com 83 anos e à minha MÃE com 80 anos, com a eterna gratidão e o infinito amor que sempre nos uniu.

	
				Ana Maria
				SP 03.10.00

Se você quiser mandar seu depoimento ou tecer comentários clique aqui


ADOÇÃO, APENAS UMA PALAVRA

Acredito tanto nos desígnios de Deus que em tudo que me acontece consigo ver Sua mão. Os milagres diários que as pessoas as vezes comentam como sorte ou coincidência, na minha leitura, são mesmo pequenos milagres. Assim também quando alguma coisa não dá muito certo, ou parece ser má sorte, eu procuro ler como desígnios de Deus e aceito. Aliás aceitar é uma palavra sempre bem vinda, mesmo que para aceitar algumas vezes eu coma quilos de chocolate.

Mas um assunto me veio a tona esta semana numa conversa. Fui indagada porque eu falava tanto em adoção. Muito simples para mim, mas não para minha amiga, porque esta palavra faz parte do meu dicionário de vida. E porque é importante para mim que ela faça parte do dicionário das pessoas como uma coisa boa, positiva e normal.

Onde entram, então, os designes de Deus e a adoção? A adoção acontece única e exclusivamente pela vontade do Pai. É o Pai que, antes de conceber uma criança no ventre de qualquer mãe que seja, já a tem designada para um certo casal. É assim que eu vejo e procuro transmitir para minha filha, que independente da forma como ela tenha vindo ao mundo, Deus já tinha dito que ela seria minha. Hoje, repetindo esta história para ela, a pequena, que não é adotada, perguntou. – "Mãe como foi que Deus disse que a Duda ia ser sua?". A própria Duda respondeu: - "Com o coração, né Bia?". Não foi porque não pude gerar um filho que procurei a Duda. Foi Deus que me fez incompleta, naquele momento, para que ela pudesse chegar até a mim, assim como Ele planejou desde o início.

Eu vejo os grupos de minorias lutando pelos seus direitos e os respeito muitíssimo. Com alguns concordo, com outros não, mas procuro respeitar a todos. Há algum tempo, falava-se de uma mulher separada ou de filhos de pais separados bem baixo, escondido. Era algo proibido, feio. Hoje, apesar de não concordar com a separação de uma família, conseguimos ver que, muitas vezes, a separação é melhor para os envolvidos do que uma vida em família desastrosa. E as crianças, filhas de pais separados, não têm mais que esconder sua situação familiar, assim como os filhos de mães solteiras.

A ansiedade da gente de buscar uma justificativa para as qualidades e defeitos das pessoas as vezes nos leva ao preconceito. O menino é egoísta porque é filho único, a menina é atirada porque a mãe é separada, a minha filha tem ciúmes de mim com a irmã porque é adotada. Não. A minha filha tem ciúme da irmã porque é da criança ter ciúme do irmãozinho menor e não tão simplesmente devido a adoção. Ela tem ciúme da irmã porque me ama. E no seu amor de criança ainda não aprendeu que o amor nunca é dividido, mas multiplicado. Engraçado que quem me disse isto disputa a atenção da mãe com a irmã, e nenhuma das duas é adotada.

A colega, com preocupação de amiga, me indagou: - E o que a sua filha vai pensar? E como a sociedade vai receber? Não é melhor que seja uma coisa só de vocês? Não, porque a adoção não é uma coisa só minha. Quanto me senti fortalecida nas minhas convicções, após nossa conversa, cresceu em mim a vontade de levantar a bandeira do não preconceito e da desmistificação da palavra "adoção". Adoção é uma palavra linda, como são as palavras mãe, filho, pai, família. Diga que minha filha é adotada, assim como diga que ela é linda, morena, prestativa, generosa.

Adotar não é um ato sublime. Sublime é ser mãe, de filho adotado ou não. São filhos da mesma maneira. Quando ouvir a palavra "adotada", não a veja uma história triste de alguém que não podia gerar um filho e teve que adotar. E de outro alguém que abandonou um filho. Veja sim, primeiramente, a vontade de Deus, a coragem de uma mãe que poderia ter feito a opção pelo aborto e fez a opção pela renúncia. E, principalmente, lembre-se que José foi tão plenamente pai de Jesus Cristo, que Jesus é reconhecido como descendente de Davi através de José.


			Astrid Câmara Bezerra Lima

			astrid@ibeunet.com.br

Se você quiser mandar seu depoimento ou tecer comentários clique aqui