|
JORNAIS Abandono TÍTULO:
“ABANDONO” TEXTO:Maioria dos candidatos a
pais dá preferência a crianças Bebês são 10% dos "adotáveis" em SP ANDRÉ LOZANO da Reportagem
Local. Somente 10% das crianças aptas para adoção em São Paulo possuem o principal
pré-requisito exigido pela maioria dos possíveis futuros pais: ser bebê.
Segundo a diretora da Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo, Maria
Zelinda Pachoalick, a maioria dos casais que querem adotar uma criança
dá preferência a meninas, brancas, de até um ano de idade. Pelo menos no critério idade -crianças de até
um ano, essa preferência é confirmada estatisticamente. Em maio deste ano, por exemplo, das 1.748 crianças
disponíveis para adoção no Estado de São Paulo, segundo a Corregedoria
Geral de Justiça, o número de crianças com menos de um ano (191) representa
apenas 10,9% do total das disponíveis para adoção (veja quadro abaixo). Saída Isso significa que os bebês têm mais "saída"
que as crianças mais velhas ou que os adolescentes. "Os pais querem adotar crianças com suas
características. Optam pelos
bebês porque querem ter a sensação de estarem saindo da maternidade
com a criança. Eles se esquecem das crianças mais velhas ou
dos adolescentes, que sofrem a ausência da família", disse Maria
Zelinda. "Os pais entendem que crianças com mais
de três anos podem vir com vícios da família biológica, e as mais velhas,
com supostos problemas das instituições que ocupavam", completou
a diretora da corregedoria. Estrangeiros Segundo Maria Zelinda, os casais
estrangeiros costumam ser menos exigentes que os brasileiros. "Não escolhem sexo, idade ou cor.
Adotam até crianças com doenças conhecidas.
"No
entanto, a Justiça não demonstra ser condescendente com os pretendentes
estrangeiros. Em 1996, por exemplo, das 6.207 crianças adotadas, apenas
354 (5,5%) foram entregues a casais estrangeiros.
"O número de adoções efetuadas por estrangeiros é baixo
porque a Justiça deve agir com cautela.
É um cidadão brasileiro que está deixando o país", afirmou
Maria Zelinda. Filhos de atores: O critério da tenra idade
para escolha dos três filhos adotivos foi usado, por exemplo, pelo casal
de atores Antonio Fagundes e Clarice Abujamra, quando estiveram casados,
por 15 anos.Os filhos adotivos do casal (duas mulheres e um homem) têm
hoje entre 15 e 17 anos. Eles foram adotados quando eram bebês. "Foi
uma burocracia grande, mas recebemos um prêmio da vida", disse
Clarice. Ela disse que decidiu, juntamente com Fagundes,
contar às crianças que eram adotivas logo no início. "Cochichávamos
isso no ouvido deles, ainda no berço." Clarice disse que se sente estimulada
a adotar mais "uma ou duas"
crianças. Sobre as mães que deixam os filhos em latas de lixo, ela afirmou: "Na hora do desespero, as atitudes são impensadas. Acho que perdoaria uma mãe que fizesse isso". volta TÍTULO: “BRASILEIRO DESISTE DE LUTA PARA EVITAR DEPORTAÇÃO”
JORNAL: O Estado de São Paulo DATA: 04/09/00 TEXTO: Washington
- Cansado de viver num centro de detenção perto de Cleveland (EUA),
o brasileiro João Herbert, de 22 anos, adotado quando tinha oito por
um casal de norte-americanos, mas não se naturalizou cidadão dos Estados
Unidos, desistiu da luta que vinha travando há mais de dois anos com
o Serviço de Naturalização e Imigração (INS) para evitar sua deportação
para o Brasil. "Estou
retirando o recurso e assinarei os papéis", disse Herbert ao Akron Beacon Journal, de Ohio, onde ele
viveu desde que chegou aos Estados Unidos em 1986, vindo de um orfanato
de São Paulo. Os problemas
de Herbet com o INS começaram em 1998,
Duas
semanas trás, o governador de Ohio, Robert Taft, negou
O embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa,
O governo recusou pedido de concessão de documentos de
Nancy Saunders e Jim Herbet, os pais adotivos, que apoiaram
Herbert esqueceu o português e receberá apoio do governo
Uma vez deportado, ele dificilmente poderá ser beneficiado por
Paulo Sotero TÍTULO:
“BUROCRACIA IMPEDE ADOÇÃO DE ABANDONADOS” JORNAL: Folha de São Paulo DATA: 27/06/00 Editoria: Cotidiano – Pg.
C3 TEXTO: Cassação do pátrio poder
pode levar até 4 anos; pesquisa em internatos do PR indicou que
só 8% estavam disponíveis. Burocracia impede adoção de abandonados. WAGNER OLIVEIRA DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA Por
culpa da burocracia, menos de 10% das crianças deixadas pelas famílias
em internatos estão em condições de ser adotadas. O
maior problema é a demora no processo que tira o pátrio poder dos
pais, mesmo depois do abandono deliberado dos filhos. Segundo
a pesquisadora Lídia Weber, da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
essas crianças estão abandonadas de fato, mas não de direito _o
que deixa a maioria vivendo nas instituições até o início da fase
adulta. O
número de 10% surgiu em um levantamento feito por Weber, que coordena
o Departamento de Psicologia da UFPR. O
trabalho foi realizado pela primeira vez há quatro anos com cerca
de 1.500 crianças internadas em 39 instituições no Paraná. Foi
co-autora da enquete a professora Lúcia Helena Kossobudzki, mestre
em psicologia pela Universidade da Califórnia. O
levantamento voltou a ser feito em 1998 apenas em Curitiba (PR)
e chegou praticamente aos mesmos resultados. Embora tenha sido realizado
só no Paraná, os pesquisadores consideram que a pesquisa mostra,
de modo geral, a realidade em todo o Brasil. Estimativas
feitas por pesquisadores da UFPR e da Unesp (Universidade Estadual
Paulista) indicam que existe cerca de 1 milhão de crianças no Brasil
vivendo em internatos - 250 mil fixas e o resto em períodos intermitentes. Abandono Os
dados revelam que apenas 8% das crianças internadas tinham pais
destituídos do pátrio poder. Mesmo assim, a maior parte, 69%, nunca
recebeu nenhuma visita do pai ou da mãe depois da internação. A
pesquisa mostrou que 62% das crianças chegam às instituições com
idade entre 8 e 12 anos. O tempo de permanência é de 1 a 6 anos
para 43% dos internos, enquanto cerca de 25% ficam internados de
6 a 17 anos. O
principal motivo para que as crianças tenham ido para um internato
foi negligência dos pais (61%), seguido por abandono (14%) e agressão
física (14%). A
maior parte das crianças veio de uma família sem pai e mãe juntos
_em 45% dos casos, as mães eram solteiras; em 24%, separadas. Em
apenas 32% os pais tinham vida conjugal. "As
pesquisas revelam que as crianças não moram com a família, não estão
disponíveis para adoção e os pais não estão recebendo nenhum tipo
de assistência do Estado para a reintegração familiar", afirma
Lídia Weber _autora do livro "Filhos da Solidão", escrito
a partir dos dados apurados no trabalho. Para
a pesquisadora, o longo tempo de permanência em abrigos acaba criando
problemas psicológicos para as crianças, além de aumentar a dificuldade
no processo de adoção, já que, quanto mais velhas, menos chances
têm de ser adotadas. "Com
o processo de burocracia do Estado, da procura dos pais biológicos
e de cassação do pátrio poder, decorrem mais de três ou quatro anos.
A criança que chega com 8 anos a um abrigo, provavelmente perderá
a oportunidade de ter uma nova família e novos vínculos. Permanecerá,
então, vivendo até os 18 anos na instituição, em uma realidade artificial
e carente de afeto." Estatuto Para o professor
Mário Sérgio Vasconcelos, da Unesp, a situação de abandono das crianças
contraria o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente,
que completa dez anos em julho. "O
estatuto orienta a extinção dos orfanatos. Na prática, as mudanças
pretendidas caminham a passos lentos", declarou. O
juiz Leoberto Brancher, presidente da Associação Brasileira de Magistrados
e Promotores de Justiça da Infância, Juventude e Família, disse
que "empiricamente" constata nas instituições os mesmos
dados verificados nas pesquisas feitas no Paraná. a reintegração da família que abandona o filho por diversos motivos. Brancher defende um plano de atendimento envolvendo conselhos tutelares, Justiça, Ministério Público, órgãos municipais, federais e estaduais. "São
necessários programas de renda mínima, projetos assistenciais e
acompanhamento escolar e psicológico das famílias. Há necessidade
de maior qualificação técnica, principalmente nos conselhos tutelares",
afirmou. Brancher
disse que o processo para destituição do pátrio poder depende de
uma série de requisitos e da interpretação de cada magistrado. Exemplo O juiz destaca
como exemplo positivo o caso de Caxias do Sul (RS), onde foi implantado
um programa de qualidade total no atendimento aos menores que pretende
resolver rapidamente a situação das crianças abandonadas em internados. "O
projeto prevê um processo de gestão interinstitucional. Caso não
haja meios de os pais ficarem com os filhos, o pátrio poder pode
ser destituído em até seis meses", afirmou o juiz. Informática Não existe hoje
um número oficial sobre o número de crianças abandonadas em internatos
no Brasil. Os dados estão dispersos por cerca de 2.000 varas da
Infância e Juventude em todo o país. O
Ministério da Justiça espera centralizar essas informações com um
programa informatizado, que está em fase de implantação nos 27 Estados
e deve ficar pronto dentro de um ano. "Só
assim poderemos ter um quadro real dessas crianças em abrigos no
Brasil", disse Silvia Arruda, coordenadora nacional do Sistema
de Informações da Infância e Adolescência e consultora da Unesco
(Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
|